
O presidente da Federação dos Consórcios Públicos do Estado da Bahia (FECBahia) e prefeito de Capim Grosso, Sivaldo Rios, criticou nesta terça-feira (20) o aumento que classificou como abusivo nos cachês de artistas contratados para os festejos juninos e defendeu que a discussão extrapole os limites da Bahia e chegue a outros estados do Nordeste. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), em Salvador.
Segundo o prefeito, os reajustes praticados não seguem nenhum parâmetro econômico claro. “O país nasceu aqui, então a gente tem que começar a dar um exemplo. Eu acho que é extremamente importante porque é lei de oferta e procura, o artista que foi em 200 mil ano passado, já estão pedindo com as 150, 500 mil, o que foi com as 100, 600. Qual é a lógica? Que inflação é essa? Qual é o cálculo que se fez isso?”, questionou.
Para Sivaldo Rios, a ausência de critérios objetivos para os aumentos tem pressionado as finanças municipais e ampliado desigualdades nas prioridades de gasto público. “Por que que não se mantem o mesmo preço do ano passado? Qual é a lógica do artista hoje subir mais de 50%? Ou corrigir pela inflação. Não tem lógica”, afirmou.
O prefeito defendeu que os municípios atuem de forma coordenada para enfrentar o problema. “Se todo mundo fizer um entendimento, um acordo, eu acho que eles vão ter que tocar no Estado também. Somos o maior Estado do país. Então a gente tem que ter unidade. Eu acho que a gente consegue resolver o problema e a gente vai dar um exemplo para o Nordeste”, disse.
Na avaliação do presidente da FECBahia, a pressão popular por grandes atrações não pode se sobrepor às necessidades básicas das cidades. “Todo mundo quer o melhor artista, todo mundo quer o Safadão, todo mundo quer o Henrique Juliano, é um milhão e meio, o povo não quer saber, mas a maioria das cidades falta pavimentação”, afirmou, ao comparar os valores dos cachês com investimentos em infraestrutura urbana.
Sivaldo Rios afirmou que a proposta não é acabar com as festas juninas nem romper com a tradição cultural. “Eu gosto de festa, todos nós gostamos de festa. Agora não se pode perder o limite”, disse. Segundo ele, a articulação entre a UPB e a FECBahia busca enfrentar o tema de forma institucional e responsável. “Eu acho que essa aqui é unidade da UPB, a unidade da FEC, que a gente trata a coisa com respeito e sem matar a tradição”, concluiu.
Fonte: Política ao Ponto