
A nova Rodoviária de Salvador, localizada às margens da BR-324, no bairro de Águas Claras, nasce com a promessa de oferecer mais modernidade e qualidade aos passageiros que vão rumo às cidades do interior baiano.
A mudança começou a ganhar força em 2019, mas o projeto só começou a ser desenvolvido em 2021, ainda no governo Rui Costa (PT). Em 2026, o novo equipamento ganhou uma data oficial para ser entregue: dia 19 de janeiro.
No dia seguinte, 20, uma terça-feira, o espaço será aberto ao público, e os ônibus terão como destino de saída e entrada este local, como já anunciado pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).
O novo terminal também surge com a promessa de desafogar o trânsito da região da Avenida ACM, que há anos não comporta mais a demanda de milhares de usuários diários de ônibus intermunicipais e interestaduais.
A inauguração, no entanto, levanta dúvidas sobre se o novo espaço será capaz de resolver os gargalos de mobilidade ou se apenas transferirá a pressão do trânsito para outra região da cidade. Além disso, também surgem questionamentos sobre quais benefícios práticos a população terá com o equipamento.
O Portal A TARDE entrevistou o advogado e especialista em Direito de Trânsito e Mobilidade Urbana, Danilo Oliveira Costa, para analisar os impactos da mudança.
À reportagem, o especialista explicou que a transferência da rodoviária para Águas Claras tem potencial para melhorar o trânsito em Salvador, especialmente por retirar um volume significativo de ônibus de grande porte de uma área já congestionada no coração da cidade.
No entanto, ele alertou que o entorno de Águas Claras ainda não está plenamente preparado para receber a nova rodoviária.
Danilo Costa avaliou que a iniciativa só será eficaz com um planejamento conjunto entre os órgãos estaduais e municipais de mobilidade, além de diálogo permanente com a população e os trabalhadores do setor.
O advogado também comentou sobre a importância da comunicação oficial por parte dos órgãos públicos sobre como a mudança afetará o cotidiano da sociedade.
"É indispensável ainda comunicação clara com os cidadãos, taxistas, motoristas de aplicativos e mototaxistas sobre os acessos e implantação de orientadores de tráfego", reforçou.
Além de uma estrutura mais moderna, com mais de 41 mil metros quadrados de área construída, estacionamento para 800 veículos e cerca de 230 pontos comerciais, a nova rodoviária pode trazer ganhos em pontualidade nos embarques e desembarques.
“Em Águas Claras, há maior potencial para organizar os fluxos de chegada e saída dos ônibus, o que pode melhorar a acessibilidade, reduzir atrasos operacionais e aumentar a pontualidade nas partidas e nas chegadas. Para o usuário, isso representa uma experiência mais previsível e funcional no deslocamento intermunicipal”, explicou o especialista.

Os ônibus que estiverem em deslocamento para Salvador, a partir da meia-noite do dia 20 de janeiro, já deverão se dirigir ao novo terminal.
Com a mudança, a circulação de ônibus intermunicipais será reduzida no centro comercial da capital.
Para Danilo Costa, trata-se de um impacto positivo para a mobilidade urbana, na medida em que contribui para a diminuição dos congestionamentos.
“A circulação de ônibus intermunicipais dentro do principal centro comercial e financeiro de Salvador tende a ser praticamente eliminada. Isso reduz a presença de veículos de grande porte em áreas de tráfego intenso, contribuindo para maior fluidez viária, menor tempo de deslocamento e menos conflitos com o transporte urbano e veículos particulares”, concluiu.
A partir do dia 20 de janeiro, todas as viagens intermunicipais e interestaduais partem do novo terminal em Águas Claras. Confira as melhores formas de chegar lá:
Esta é a forma mais direta de integração. A nova rodoviária foi construída ao lado do sistema metroviário.
O acesso principal é feito pela rodovia BR-324, o que facilita para quem vem de outras regiões periféricas.
Salvador terá uma reestruturação nas linhas de ônibus para alimentar o novo terminal.
A TARDE